sábado, 11 de dezembro de 2010

Porquê ?

Com ele o amor não era um lugar estranho.
Porque podia ser eu mesma, ele não me tentava impressionar nem me colocava num pedestal exigindo padroes demasiado elevados que me deixassem relutante.
Deixava-me ser eu, deixava-me partilhar com ele uma versão da vida que eu própria desconhecia, deixava-me ridicularizar o fútil e o banal porque eram coisas que ele igualmente menosprezava.
Porque ele sabia exactamente quando me abraçar, sabia quando um singelo gesto faria a diferença e amava-me , apesar da distância, acima do mundo e acima da relatividade do tempo.
A minha vida, simplesmente estava segura nos seus lábios sempre que ele se pronunciava.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

E se eu te disser ?

E se eu te disser que tentei voltar para trás e os meus pés não saíram do chão ? Se eu te disser que a minha vida vagueou na tua durante tanto tempo que parece ridículo estarmos onde estamos . Que o meu coração se perdeu entre os teus dedos e que não mo podes devolver . Que estou viva mas não consigo respirar .
Que a tua e a minha banalidade se tornaram em algo sublime . Não , não cálamos as palavras todas , não desgastamos o sentimento nem tingimos o nosso papel . não ainda somos nós , como éramos , como sempre fomos . eu sei bem que desalinhamos as palavras todas , mas tu sabes que houve algum sentido nisso . deste me uma mão cheia de nada  e eu completei-a com a minha . e sentiste isso , eu senti-o também . o que tu não sabes , é que o teu coração fala tão alto , que eu oiço tudo aqui de fora.

Deixei-te ir .

Perdi-te quando ainda te tinha seguro , deixei-te ir com a brisa e nem sequer tentei agarrar-te de novo . perdi-te quando ainda eras a minha vida , quando eu ainda era a tua vida .
a nossa melodia , deixamo-la ir , deixamo-la ecoar num tempo bastante distante que já não nos pertencia . seguimos em frente de olhos fechados , já não tinhamos o norte que nos guiava , a ligação que nos sustentava . quantas vezes ela nasceu e ignoramos ? deixamo-la fugir , escapou-nos entre os dedos . fizemos da despedida um sacrificio e nenhum de nós voltou . ficamos imóveis , olhando para trás com pena , saudade e mágoa de um dia termos deixado o outro partir *

domingo, 5 de setembro de 2010

Gosto de ti .

Eu gosto de ti como quem ama simplesmente porque ama , mas com o sentido de quem já não sabe o que é amar .


Eu fugia do toque , assim como do sentimento .
Num último suspiro despiste-me a alma , tocaste-me no coração .

Os lábios pediram perdão , irreversivelmente , o toque denunciou um abraço , o silêncio denunciou o amor , durante um olhar soltou-se o beijo .
Fechei os olhos e hesitei em seguir-te por esta estrada desconhecida .

Mas , abriguei-me na tua voz , quando o silêncio doía .

Beijaste-me a alma ,
enquanto me tocavas nos cabelos ,
Despiste-me a capa ,
Que teimava em ficar ,
Silenciaste-me o medo
Com a tua boca.
Forjamos um só ser , uma só canção .


Escondemos um “amo-te” nas entrelinhas do espaço e do tempo que existe , e é só nosso .

Hoje , os momentos em que não estás têm uma duração que desconheço .
Não te quero ver partir , quero gostar cada vez mais do teu sorriso que me acalma , da tua serenidade , do teu jeito próprio . Da tua ânsia de me amar .

Quero mais do que uma ausência de Ti .
Deixa-te simplesmente ficar .